Cara Gente Branca (Dear White People)

Cara Gente Branca (Dear White People)Não é tarefa fácil encontramos um filme LGBTQ+ que trate de questões mais profundas que a sexualidade de seus protagonistas. Longe de desmerecer qualquer luta, não há como negar que pertencer a este grupo e a outro, que sofra tantas ou mais repressões da sociedade tradicional, não é algo fácil. Mulheres, pobres, negros, deficientes físicos, imigrantes regionais e outras minorias também são alvo desses opressores. Filmes que tratam dessas minorias existem? É óbvio que sim, mas Cara Gente Branca parece ter feito muito bem a lição de casa.

Por  Duílio Lima Do Portal Fórum

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A comédia dramática, se assim podemos classifica-la, se passa em uma conceituada universidade dos EUA, mais precisamente Winchester University, onde os alunos brancos decidem dar uma festa bem preconceituosa sobre a raça negra. O que eles não contavam é que Sam White (Tessa Thompson), Troy Fairbanks (Brandon P. Bell), Lionel Higgins (Tyler James Williams) e Coco Conners (Teyonah Parris) começariam uma grande mobilização que questionaria e enfrentaria não só alunos, mas toda a instituição.

Dirigida e escrita pelo novato Justin Simien,  seu primeiro longa produzido, Dear White People é uma sátira escancarada do racismo e da hipocrisia do politicamente correto e tolerante em respeito da diversidade racial. O roteiro, construído de maneira inteligente e bem humorada, consegue tocar em uma ferida que persiste até hoje nos EUA e que também é refletida no Brasil, a de um racismo velado e de um falso mito da “democracia racial”. Imaginem o quanto é difícil se adaptar a uma sociedade que ainda continua racista, mas que tenta pregar que isso não existe.

E mais ainda é ver uma sociedade branca, hipócrita, que insiste em um “racismo às avessas”, onde eles são os excluídos. É impossível assistir esse filme e não fazer conexões com o que vemos aqui no Brasil, inclusive nos momentos em que a imagem do negro é estereotipada. Associar todos esses discursos aos utilizados hoje para irem defesa da cristofobia e heterofobia também não é mero acaso. Isso mostra como todo texto é atual e como ele se encaixa perfeitamente a toda e qualquer minoria ou grupo de excluídos. Ilê Aiyê!

É fascinante ouvir os discursos de Samantha na rádio da universidade todos os dias, alfinetando e se colocando como a pedra no sapato daqueles que mais se incomodam com a presença dos negros naquele espaço. Suas apresentações e argumentações são algo que todos deveriam saber. A própria Sam tem seu programa acusado de racismo e sem deixar o enredo cair consegue dar uma resposta a altura ao seu público, deixando seus opressores sem reação. A protagonista não luta só pelos negros, mas ela está ali também como uma ativista feminista, que defende também o papel da mulher na sociedade.

Ela é irônica, sarcástica, inteligente, astuta e convicta de tudo que fala e faz. Não acho incoerente associá-la a figura de Angela Davis, frente aquele campus tão hostil e falso. Tessa Thompson passa tudo o que esperávamos ver dessa personagem, alguém com uma personalidade forte, que não mostra medo e nem se curva para os poderosos e isso só um artista que consegue imergir muito bem na história consegue realizar. Não que os outros atores não desempenhem bem seu papel, Tyler James Williams (o Chris, de Todo Mundo Odeia o Chris), por exemplo, mostra como é difícil ser negro e homossexual, algo tão denso como a situação de Sam, mulher e negra, mas suas histórias são quase que secundárias, e ainda assim fundamentais para a ideia e mensagem que o texto desejar passar.

Em um aspecto um pouco mais técnico, o filme não tem grandes efeitos. As transições de uma cena para outra, às vezes, podem confundir o público, mas nada que desagrade. A fotografia não é ruim, mas também não é algo que faça cair o queixo, e que em minha opinião, poderia sim ser mais bem feita, como por exemplo, no discurso que Sam faz no auditório e durante a tal festa “afrodescendente”. Todavia, a verdade é que a história é tão boa, que faz você deixar todos esses aspectos de lado.

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Não há menor sombra de dúvidas que esse filme merece e precisa ser assistido e não só uma vez. Cada vez que assisti-lo, irá perceber aspectos e nuances diferentes sobre a questão por ele abordada, como se novos símbolos fossem descobertos a cada nova leitura. Se você é negro, mulher, gay, trans, ou pertencente a qualquer outra minoria, saiba que é uma parada obrigatória e, caso não seja nenhum deles, também não deixe de assistir, afinal, se você chegou até aqui não vai ser agora que irá desistir.

O longa está disponível no Telecine On Demand até o final de novembro e pode ser assistido dublado ou legendado.

Quer saber mais sobre filmes? Acompanhe nossa coluna A Bonequinha Viu… toda quinta, aqui n’Os Entendidos. Não esqueça de curtir também a nossa fanpage!

Dor negra, bem-estar branco

Dor negra, bem-estar brancoSe a História é a memória oficial de um povo, a brasileira certamente não dá o merecido valor a contribuição dos africanos sequestrados até aqui. A começar pelos pouquíssimos registros que se tem das terríveis experiências vividas por esses negros escravizados.  O silenciamento dessas vivências nos permite somente imaginar o quão doloroso foi essa experiência, pois nos impede de acessar o horror através dos olhos de quem conseguiu resistir e se fazer ouvir.

Por Fabricio Longo Do Portal Fórum

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Essa ausência de vozes negras permanece ainda hoje, tanto na mídia quanto nos quadrinhos, na literatura, nas artes visuais e outras tantas formas de expressão. Contudo esse vácuo afeta principalmente os saberes teóricos sobre o nosso passado, o impacto psicológico provocado e até mesmo o nosso posicionamento na sociedade. Apesar de alforriados, negros ainda somos vistos, principalmente pelos narradoresoficiais da trajetória brasileira, como objeto: de análise, de controvérsia, de escárnio etc. Assim como para boa parte da sociedade o negro ainda representa o Outro – a ser evitado, temido, desejado, exibido, controlado ou silenciado.

Como os eventos históricos geralmente são relatados pelos vencedores, isto é, por aqueles que causaram mais sofrimento, fica bastante fácil entender como vozes negras — assim como de outros segmentos historicamente oprimidos pelas sociedades — são impedidas de se pronunciar sobre os efeitos das opressões que já sofreram e presentemente sofrem. Parte disso se dá pela crença científica de que a dor anularia o senso crítico, de que vítimas de opressão seriam incapazes de compartilharem suas perspectivas sem prejudicar a suposta imparcialidade da versão oficial dos fatos.

Assim, todos acabamos aprendendo que o homem branco é sempre o mais indicado a falar por todos e para todos, como também é o único a ser redimido do legado de culpa de seus ancestrais, que praticaram todo tipo de crimes contra a humanidade em nome de uma civilização superior. Dessa forma, esses homens brancos ao se apropriarem das manifestações de sofrimento e resistência acabam sendo redimidos das barbáries que os seus iguais cometeram pois,benevolamente, assumiram o papel de observadores críticos empenhados em registrar o passado isentos de sentimentalidade.

Portanto, caso ainda seja incompreensível porque se argumenta que a povo negra nunca foi devidamente incorporado pela sociedade que o explorou (até serem legalmente impedidos de), basta compreender o que jaz no constante desconforto que a menor menção — sobre as consequências de séculos de doutrinação racista — provoca em pessoas que se identificam brancas. Basta observar o que se esconde na já previsível dificuldade e latente falta de empatia que muitas delas têm em lidar com as imagens de sofrimento negro que trouxeram benefícios aos seus antepassados.

[TW: Privilégios]  Tendo sido donos de escravos ou abolicionistas, imigrantes europeus pobres ou colonos desterrados, brancos nunca foram desumanizados, pois o sistema racista criado na época colocava toda e qualquer eurodescendente branco em uma situação de privilégio social, econômico, intelectual, estético e cultural em relação aos afrodescendentes – forros ou não. Por mais explorados que tenham sido os europeus e asiáticos que por aqui desembarcaram, quase nenhum deles pode dizer que veio traficado até aqui, ou que foi arbitrariamente apartado de suas origens culturais, linguísticas, espirituais e familiares, ou que nunca lhes foram, ao menos, prometido recompensação alguma. Isso sem esquecer opequeno detalhe de jamais foram coisificados jurisdicionalmente. [/TW]

Dito isto, é curioso perceber como parece haver um consenso entre muitas pessoas brancas de que negros deveriam deixar tudo para trás, quando na verdade é impossível superar uma dor que nunca pôde ser livremente expressada — seja por ser doloroso lembrar, por analfabetismo, por censura ou por medo das consequências sociais. Por se tratar de um sofrimento que permanece sendo impedido de se debater. Embora não haja mais a ameaça de chibatadas ou outros métodos de tortura psicológica ou física, a maior exigência que ainda se faz a pessoas negras nunca deixou de ser o silêncio. Mesmo quando amarradas a um tronco, pessoas negras dificilmente eram vistas como vítimas, mas sim como eternas responsáveis pelo próprio infortúnio — #vitimização. Ao mesmo tempo em que pessoas brancas sempre desfrutam da integral capacidade de açoitar vidas pretas, assistir ao açoite ou virar o rosto.

Se hoje a dor dos judeus choca é porque — além do Holocausto ser fruto da monstruosidade do nazismo —,  os sobreviventes puderam registrar suas histórias em depoimentos oficias e não. Enquanto que a nossa (dor) gera piada porque omal-feitordessa história é o próprio povo responsável pela barbárie. O que de fatocomplica a transição até que os ex-escravizados sejam aceitos plenamente como iguais — dignos dos mesmos círculos sociais —,  porque isso implicaria em aceitar osderrotados colonizados na mesma mesa que até bem pouco só podiam servir.

Pra deixar escuro, generalizo em grupos porque a partir do momento em que um continente inteiro se uniu para enriquecer as custas do sofrimento e coisificação — sem precedentes — de outro, afim de colonizar um terceiro continente, cujos habitantes foram dizimados com o mesmo propósito, é até cruel achar que as consequências e as responsabilidades disso podem ser individualizadas. Assim, da forma que pessoas negras devem se unir para remover as mordaças históricas e reivindicar oportunidades mais iguais, pessoas brancas deveriam compartilhar a responsabilidade de estarem no topo de uma hierarquia racista idealizada precisamente para privilegiá-las.

Por isso que enquanto pessoas brancas se esquivarem de qualquer responsabilidade sobre o assunto, sem deixarem de aceitar os espólios herdadoscoletivamente a custa dos mesmos sangue que insistem em lavar das mãos, todo o mal causado talvez jamais seja expurgado. Enquanto a maioria das pessoas brancas não entenderem que em todo pedido para esquecermos, ou falarmos sobre outra coisa há um resquício de sinhô e de sinhá, essa página não tem como virar. Enquanto a dor acumulada de pessoas negras valer menos que a possibilidade de desconforto – não de tortura – de pessoas brancas não dá pra aceitar esse papo de que somos todos iguais. Favor Não insistam mais.

Sinto-me professor fracassado ao ver jovens pedirem volta da ditadura

Sinto-me professor fracassado ao ver jovens pedirem volta da ditaduraA defesa da volta dos militares é uma defesa ilegal, “chefe das forças armadas é a presidente Dilma”, lembra o professor Leandro Karnal. “Nossos problemas foram piorados na ditadura.”

Do Vermelho

Carlo Tecce – il Fatto Quotidiano (tradução do IHU):
A declaração foi do cardeal brasileiro Cláudio Hummes, que é um caro amigo e o primeiro aliado do Papa Francisco. O brasileiro foi arcebispo de São Paulo, o argentino de Buenos Aires: os cardeais sul-americanos mais admirados no Vaticano. Ambos papáveis em 2005. No segundo Conclave, Bergoglio foi eleito.

34765 – John Reed morreu há 95 anos

António José André – Esquerda.net:
Autor do famoso livro ‘Os dez dias que abalaram o mundo’, A popularidade de Reed como líder revolucionário levou à criação de clubes ‘John Reed’ nos Estados Unidos. A sua vida foi objeto do filme ‘Reds’ (1981), protagonizado por Warren Beatty. Por António José André.

Pedestres e ciclistas poderão utilizar a via livremente das 9 às 17 horas. Moradores da capital já passaram pela experiência duas vezes.

Via iG São Paulo em 15/10/2015

A partir de domingo, dia 18/10, a avenida Paulista ficará fechada para veículos durante todos os domingos, decretou a prefeitura de São Paulo. Os pedestres e ciclistas poderão utilizar a via livremente das 9 às 17 horas.

Em 28 de junho, na inauguração da ciclovia da Paulista, e em 23 de agosto, na abertura da ciclovia da avenida Bernardino de Campos, os paulistanos já puderam passar pela mesma experiência quando a ciclovia foi inaugurada. Por ali, alguns aproveitaram para fazer piquenique, crianças andaram de triciclo e skatistas desfrutaram do espaço para treinar.

A decisão ocorreu após um acordo entre o prefeito Fernando Haddad e o Ministério Público. Segundo a prefeitura, os moradores que residem em casas e prédios da via terão acesso garantido às suas residências. Os hospitais da região também estarão acessíveis aos domingos.

Os moradores deverão ser acompanhados por agentes da CET até a primeira esquina onde será possível fazer a conversão e terão que respeitar a velocidade máxima de 10 km/h. Para chegar aos hospitais, os motoristas deverão acessar as ruas transversais. No caso do Santa Catarina e do clube Homs, haverá uma faixa de acesso exclusiva.

De acordo com a recomendação do MP, um acordo firmado com a prefeitura em 2007 limitava o fechamento da Paulista apenas três vezes por ano: Parada Gay, Corrida de São Silvestre e o Réveillon.

A avenida Paulista é a primeira entre as demais ruas que deverão ser abertas aos domingos. A previsão é que outras vias em regiões periféricas, que estão em processo de audiência pública, também tenham uma rua para lazer.

Foto de André Tambucci / Fotos Públicas.

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