A República Plutocrática tem que ser exemplarmente derrubada. Por Paulo Nogueira

A República Plutocrática tem que ser derrubada. E tem que ser derrubada exemplarmente para que no futuro a plutocracia não ouse fazer o que está fazendo agora. O Brasil deveria se encaminhar para se tornar uma sociedade escandinava. Igualitária, com oportunidades iguais para todos, sem os contrastes indecentes de riqueza de poucos e misérias de tantos. Mas o sonho da Escandinávia foi atropelado pela realidade paraguaia. Com o golpe, viramos um imenso Paraguai, e agora o que se deve esperar é uma política econômica que vá aprofundar as já colossais desigualdades brasileiras. Com Temer, é como se o thatcherismo, repudiado e morto nas sociedades avançadas pela brutal concentração de renda que trouxe, estivesse no auge do vigor. Isso mostra a mentalidade anacrônica, obsoleta, míope da plutocracia nacional. O mundo pede menos desigualdade. A plutocracia que obliterou 54 milhões de votos trará ainda mais desigualdade para o Brasil. O dinheiro público vai ser transferido em quantidades indecentes para mãos particulares. Os plutocratas brasileiros vivem não de seu engenho, de sua capacidade de empreender e inovar. Vivem do dinheiro público. As empresas jornalísticas sabem que poderão contar com a mão do governo amigo para enfrentar as dificuldades trazidas pela Era Digital. São carroças diante do carro. Mas Temer vai abarrotá-las de recursos do contribuinte por vários meios, o principal dos quais é a publicidade. Temer vai fazer o que nem Lula e nem Dilma jamais fizeram, em seu republicanismo suicida e desastrado: aparelhar a Secretaria da Comunicação, a Secom, que cuida da publicidade federal. Só receberá verbas a mídia plutocrática: Globo, Abril, Folha, Estado e por aí vai. É extraordinário que, na Era PT, essas mesmas companhias ganharam bilhões em publicidade oficial, mesmo com audiências em constante declínio graças à internet. O PT financiou seus algozes até seu último momento no Palácio do Planalto, um dos erros mais espetaculares e incompreensíveis cometidos pela dupla Lula e Dilma. As companhias jornalísticas não tiveram que correr sequer o risco de retaliação ao optar por abandonar o jornalismo e fazer descaradamente propaganda anti-PT. O que a mídia plutocrática não conseguirá fazer é o milagre de dar legitimidade e algum vigor a um governo que nasce sem votos e com enorme rejeição. Não há nada que faça Temer, com sua consagrada mediocridade septuagenária, se transformar em estadista. Nada também será capaz a imagem criminosa de Eduardo Cunha como o grande arquiteto do golpe. Temer se instalará no poder sob uma rejeição maciça dos movimentos sociais. Toda nova presidência desperta esperança e algum entusiasmo nos seus primeiros tempos. Temer já chega despertando ódio e descrença. Ele não pode durar. Tem que ser combatido a cada instante, para que o golpe seja derrotado. As ruas não podem sossegar enquanto este governo espúrio estiver no Planalto. A República Plutocrática, repito, tem que ser varrida. Golpistas devem virar párias na sociedade. Só assim nos livraremos da maldição de sermos sempre a terra desoladora da plutocracia predadora, canalha, capaz de qualquer coisa para destruir a democracia.

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