Artigo precioso no Fluxo, amizades.

Ivan Marsiglia é um dos melhores textos e das melhores cabeças que já conheci no jornalismo. Aqui, ele analisa as “omissões e ênfases” na imprensa nacional, o autoengano da “total liberdade editorial” e explica como a dinâmica profissional e psicológica das redações produz o viés midiático que abriu passagem para o impeachment de Dilma Rousseff.

“Dentro de uma redação, aparecer é fundamental. Um verdadeiro capital simbólico é distribuído pela chefia na forma de espaço, disputado a tapa pelos jornalistas: o prestígio impresso na forma de visibilidade e expresso, mais concretamente depois, na forma de promoções e aumentos de salário. O repórter sabe que tipo de matéria lhe dará mais projeção profissional. Vaidade e ambição condicionam o livre-arbítrio de quem escolhe, apura e escreve as notícias”

“A “malandragem” não está na fricção entre repórteres e editores pela “embocadura da pauta” ou na censura direta, de cima para baixo. Ela ocorre mais sutilmente, no destaque dado pela chefia ao conteúdo publicado e nos efeitos…
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