Diário do Centro do Mundo Como a mesma mídia que destruiu Dilma fracassou miseravelmente na construção de Temer. Por Paulo Nogueira

Não tinha me dado conta, em 30 anos de redações vividos sobretudo na Abril, do poder destruidor da imprensa. Só consegui enxergar as coisas de fora. Verdade que o jornalismo de guerra é uma coisa relativamente nova. A Veja foi pioneira, logo depois da eleição de Lula em 2002. O resto da mídia foi progressivamente aderindo à guerra. Hoje, você não distingue, na essência, na alma, a Veja e o Jornal Nacional, para ficar num caso. Isto posto, em minhas reflexões sobre meu ofício compreendi só agora o que se poderia chamar de “Maldição da Mídia”. Ela destroi, mas não constroi. Um poder de destruição avassalador, mas impotência total na construção. A maldição fica clara quando você examina o que foi feito de Dilma e o que está sendo feito com Temer. As companhias jornalísticas acabaram com Dilma. Reduziram-na a nada. Inventaram uma mulher que era analfabeta, incompetente, grosseira e, sobretudo, corrupta. Não concederam a ela sequer o desejo legítimo — e sustentado pela boa gramática — de ser chamada de presidenta. Machado de Assis usou a palavra presidenta, mas os barões da mídia e seus sequazes acharam que sabiam mais que Machado. O trabalho de extermínio de Dilma acabou dando nas convocações para protestos de um público manipulado e idiotizado pela mídia mesma. Um clássico dos crimes editoriais foi a infame capa, às vésperas da eleição de 2014, em que a Veja afirmava que Dilma e Lula sabiam tudo sobre o Petrolão. A fonte era um alegado delator. Você tem uma ideia da barbaridade daquela capa quando vê o teor das delações da Odebrecht. Dilma acabaria virando terra arrasada. O jornalismo de guerra triunfou na obra de devastação de Dilma — e da democracia, e de 54 milhões de votos. Agora considere Temer. A mesma mídia que liquidou Dilma tentou fazer dele um estadista. Seu português era impecável, ao contrário da mulher de dois neurônios. Suas mesóclises, prova de cultivo e erudição. Foi tratado também como um mestre da articulação política. Um dos colunistas do Globo, Ricardo Noblat, chegou a elogiar a beleza de Temer. O ápice da tentativa de construção se deu num Roda Viva histórico em que os entrevistadores o trataram como um semideus. No final do programa, um deles — o produtor — postou um vídeo no qual agarrava Temer pelos braços para mostrar ao público que ele era de “carne e osso”. A realidade logo se incumbiria de desfazer a miragem na qual a mídia queria que os brasileiros acreditassem. O Temer real era e é este que está aí: covarde até para enfrentar a possibilidade de vaias, inepto para liderar o país num momento de extrema turbulência, carisma zero — isso tudo e mais de 40 citações numa única delação. A imprensa fracassou miseravelmente na criação do Super Temer, tanto quando tivera êxito na destruição de Dilma. Nem ponte ele é, mas uma pinguela, para usar a expressão de um dos cardeais do golpe, FHC. (Pinguela é ponte precária, de limitada confiabilidade.) Esta a “Maldição da Mídia”: pode muito, pode tudo para destruir. Mas nada, rigorosamente nada, para criar. Traz sempre a sombra, o caos,  jamais a luz, jamais o sol.

Fonte: Diário do Centro do Mundo Como a mesma mídia que destruiu Dilma fracassou miseravelmente na construção de Temer. Por Paulo Nogueira

Que me perdoem os shakes de proteína, mas churros de doce de leite é fundamental | Revista Bula

Quão politicamente incorreto é defender hambúrgueres e maldizer a rúcula em tempos de sedentarismo e doenças decorrentes da ingestão de besteiras a bel-prazer? Então priorize a saúde. Mexa o corpo. Evite enlatados, conservantes, corantes. Coma alface. E fibras. Beba água. Use filtro solar (ops, essa é outra história). Mas permita-se compensar o suor das aulas de jump com taças de vinho. Não há mal no torresmo de fim de semana. Se sentir algo diferente no peito, os invejosos dirão que é o miocárdio mandando um sinal. Explique que é só alegria.

Fonte: Que me perdoem os shakes de proteína, mas churros de doce de leite é fundamental | Revista Bula

Precisamos falar sobre a falta de imparcialidade dos juízes | Blog do Esmael

“Para Gilmar Mendes, divulgação de conversa entre Dilma e Lula foi correta”. A declaração acima se deu ao Estadão em 17 de março de 2016, logo após o juiz federal Sérgio Moro vazar para a Globo conversas privadas do ex-presidente e da presidente eleita Dilma Rousseff. Na época, o ministro do STF dissera que “o conteúdo é extremamente grave e sugere o propósito de interferir no funcionamento das instituições”. “Gilmar vê ‘possibilidade’ de anular delações após vazamentos”. O mesmo magistrado declarou nesta terça (13) ao mesmo veículo de comunicação — o Estadão — acerca do vazamento de delação da Odebrecht apontando Michel Temer como beneficiário de propina de R$ 10 milhões. “Isso é muito sério. O vazamento seletivo. O vazamento antes de chegar a autoridade…”, completou Gilmar. Definitivamente, nós precisamos falar sobre a falta de imparcialidade dos juízes brasileiros.

Fonte: Precisamos falar sobre a falta de imparcialidade dos juízes | Blog do Esmael

Diário do Centro do Mundo Dom Paulo não morreu. Nunca morrerá

Publicado no Instituto Vladimir Herzog.   O Cardeal da Liberdade continuará sempre nos corações dos que prezam o livre arbítrio e por ele lutam. Daqueles que não toleram ditaduras nem com elas compactuam. O Bispo dos Oprimidos e Cardeal dos Trabalhadores nunca será esquecido pelos operários, pelos moradores de favelas e periferias. Pois foi em seu benefício que, logo ao se tornar arcebispo metropolitano de São Paulo, vendeu o palácio episcopal para instalar 1.200 centros comunitários, 2.000 Comunidades Eclesiais de Base e inúmeros outros projetos sociais pela capital. O Bom Pastor estará sempre presente e inspirando os participantes da Comissão Justiça e Paz, por ele criada em 1972 para promover os valores universais da paz, da cidadania e da dignidade da pessoa humana. O Cardeal da Cidadania nunca sairá dos sentimentos dos familiares de mortos, perseguidos e desaparecidos políticos, pelos quais enfrentou a ditadura em diversas oportunidades e, com o rabino Henry Sobel e o pastor Jaime Wright, comandou a publicação do livro Brasil:Nunca Mais, que registrou informações sobre mais de 700 processos do Superior Tribunal Militar, denunciando a repressão política no país. O Guardião dos Direitos Humanos jamais poderá ser esquecido pelos admiradores de Adolfo Perez Esquível, ativista argentino e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, que declarou ter sido “salvo duas vezes” por ele. O Amigo do Povo – como ele próprio se definia – estará sempre presente entre os amigos e familiares do estudante universitário Alexandre Vannucchi Leme, morto pela ditadura em 1973, em cuja homenagem ele celebrou missa na Catedral da Sé, em São Paulo. Foi na mesma Catedral que ele denunciou o assassinato de Vladimir Herzog por agentes da ditadura, já no ofício religioso em sua memória, em 1975. O amado e reverenciado Dom Paulo Evaristo Arns é e sempre será um rosto, um vulto e uma voz indeléveis nos corações dos familiares, descendentes e amigos do Vlado.

Fonte: Diário do Centro do Mundo Dom Paulo não morreu. Nunca morrerá