EM DEFESA DE CARINA VITRAL

EM DEFESA DE CARINA VITRAL

A atual presidente da UNE, Carina Vitral, fez uma foto abraçada ao senador tucano José Serra, durante filmagem de um documentário sobre a entidade estudantil.

Diversos militantes reais e virtuais iniciaram verdadeira campanha de escracho contra Carina, como se ela tivesse cometido algum ato de traição ou de conciliação com o golpismo.

Reação absurda, ao meu ver.

Talvez ela pudesse ter sido mais cuidadosa nesse universo tão conectado e polarizado que vivemos, mas não mais que isso.

Ela não representa um partido político, preside a organização sindical de todos os estudantes, e nessa condição foi seu encontro com Serra.

Mais ainda: tratava-se de uma filmagem sobre a história da entidade, que foi presidida pelo prócer tucano entre 1963 e 1964, quando ainda era um combativo militante de esquerda. O presente de Serra não apaga seu passado e seu papel na UNE, gostemos ou não desse fato.

Carina não foi negociar, dialogar ou capitular perante um dos líderes golpistas, mas entrevistar o ex-presidente da entidade que representa, como o fez com vários outros.

Não foi festejar com Serra ou fazer acordos com o senador. Simplesmente teve honestidade histórica: o reacionário de hoje, infelizmente, era o mesmo personagem que subiu no palanque do Comício pelas Reformas de Base em 13 de março de 1964, entre outros feitos de então.

Mesmo que tenha dado um sorriso ou um abraço a mais do que o momento permite, Carina Vitral estava cumprindo seu papel e não deveria ser crucificada por isso.

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