Carlos Dincao 

ATÉ ONDE IREMOS?
(Atenção! Esse texto é longo… Me esforcei para ser o mais breve possível… Acredito, porém, que ele é de grande importância e servirá a todos os que desejam lutar por um país e um mundo melhores).
Há duas perguntas que todos gostariam de saber a resposta: Primeira: Até quando essa crise econômica vai durar? Segunda: Quando essa crise política vai acabar?
A maior dificuldade de responder a essas questões é o fato de que a primeira está umbilicalmente ligada à segunda, isto é, a crise econômica permanece porque a crise política ainda não foi solucionada. E o reverso também é correto: a crise política não tem solução porque a crise econômica alimenta a impopularidade dos que estão no governo.
É possível fazermos previsões temporais sobre ambas as crises, mas elas são muito mais intuitivas do que exatamente científicas. Falar que tudo será solucionado em 2018 é geralmente o que mais se ouve… Mas isso é apenas um “chute”… Um pressentimento de que as coisas talvez se solucionem por causa de um determinado cenário eleitoral.
Mas esse cenário eleitoral é apenas no Brasil… E no resto do mundo? Passaremos a ignorar o fato de que a crise econômica brasileira está associada à crise mundial? Mais: Vamos fingir que o Brasil não faz parte de uma economia globalizada?
Assim sendo, uma previsão de quando essas crises terão fim parece mais um exercício de loteria do que de análise política-econômica…
Por outro lado, é possível sabermos até onde essas crises irão, caso tenhamos clareza de quem está por detrás delas e quais são os seus objetivos. 
Vejamos tudo isso com calma, sem nos perdermos na História:
A atual crise econômica foi resultado de uma enorme bolha de crescimento que estourou em 2008 nos EUA. Essa crise começou no setor imobiliário, mas tinha suas raizes em todo o sistema bancário norte-americano que realizava financiamentos em níveis irresponsáveis. 
Por mais de dez anos o mercado financeiro colheu elevados rendimentos às custas de riscos estratosféricos consolidados por esses financiamentos imobiliários e outros financiamentos diversos oferecidos para indivíduos e empresas que não possuíam condições de pagá-los.
Até 2007, um trabalhador norte-americano desempregado conseguia financiar sua casa própria e um automóvel novo em menos de uma semana. Bastava declarar que ao invés de “desempregado” era um “trabalhador autônomo” e preencher na ficha cadastral do Banco uma renda anual que estivesse em sua cabeça. 
Obviamente que esse trabalhador concordava em pagar altos juros, pois tinha esperanças em obter um emprego e… caso ficasse atrasado com as prestações ainda podia “refinanciar” o seu financiamento com direito a extensão de prazos e carência…
Por que os bancos fizeram isso? Simples: por causa dos juros. Os juros elevados dessas transações lhes projetavam altos rendimentos. 
Mas como os bancos conseguiam ocultar que seus “altos rendimentos” não iriam resultar em “colossais inadimplências”? Simples: através de uma fraude (legalizada pelo Banco Central dos EUA) chamada “produtos financeiros híbridos”. 
Em resumo, os bancos juntavam operações financeiras de baixo risco com outras de alto risco e montavam um “produto financeiro” aparentemente seguro e com bom rendimento. E venderam esses “produtos tóxicos” a milhões e milhões de investidores e fundos de pensões por todo o planeta.
Quando os “altos rendimentos” se tornaram “colossais inadimplências” os bancos decretaram falência e pediram sua recuperação econômica para o governo dos EUA. E, obedientemente, essa ajuda veio – sem qualquer questionamento – na forma de trilhões de dólares dados aos bancos para que eles não sofressem com essa “inusitada tragédia”. Estamos no ano de 2008.
De lá pra cá, tivemos um efeito dominó. Todo o sistema financeiro mundial entrou, primeiramente em pânico, depois em crise e agora em depressão. Uma crise que custou trilhões de dólares tem que ser paga por alguém… 
Os principais Estados Nacionais do primeiro mundo se adiantaram em entregar quase a totalidade de seu tesouro para sanar os problemas dos bancos… Seja em doações (as chamadas recuperações econômicas a fundo perdido), seja comprando os produtos financeiros tóxicos que os bancos haviam criado.
A razão de toda essa “benevolência” dos Estados Nacionais era única e repetida por todos os meios de comunicação (que por coincidência, pertencem aos bancos): “Não podemos deixar os bancos quebrarem porque com isso a economia vai paralisar e não haverá quem faça financiamento e… além disso… temos que salvar a previdência privada!”
O problema é que não se convence todo mundo de maneira tão fácil. Alguns países se recusaram a seguir a fórmula do resgate dos bancos… Pagaram caro para ver: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha foram os primeiros a sentirem o poder dos bancos e todos eles quase quebraram… 
Outros países tentaram negociar de forma caseira essa crise manipulando o câmbio, montando uma agenda de recuperação mais lenta e fazendo outras ações “não ortodoxas”… Esses países tiveram como punição o congelamento internacional de todo o crédito para todo o planeta.
No fim os bancos sabiam o que faziam. Tinham a exata dimensão do seu poder. Colocaram o planeta Terra em uma depressão econômica. E apenas vão tirar o planeta dessa depressão quando todos os governos adotarem e cumprirem com sua meta de recuperação econômica. 
E isso não significa apenas cobrir os prejuízos que eles mesmos criaram, mas também garantir a retomada de seus rendimentos nos mesmos níveis daqueles anteriores à crise de 2008.
E qual é o custo dessa operação? Custa “apenas” acabar com todo o Estado de Bem-Estar social do primeiro mundo e desmantelar totalmente qualquer seguridade social dos países do terceiro mundo, incluindo aí um processo de venda de todas as suas riquezas a preço de banana (e por isso exigem a desvalorização das moedas desses países).
De 2009 à 2014 o Brasil e alguns outros países periféricos conseguiram obter uma espiral de crescimento. Mas era apenas um movimento de influxo de capitais, isto é, enquanto os países do primeiro mundo não faziam sua “lição de casa” o capital internacional ficou transitando nos mercados periféricos, que lhe davam bom rendimento a juros altos.
Quando os países do primeiro mundo começaram a entregar maiores vantagens aos banqueiros, o capital internacional começou a ir embora… Claro que a queda dos valores das commodities (principalmente do petróleo) ajudaram nessa gigantesca fuga de capitais que, em 2015, simplesmente desvalorizou nossa moeda em 40%. 
Qual foi a mensagem dos banqueiros? “Agora é a vez de vocês fazerem sua ‘lição de casa’”. No nosso caso essa é a lição: arrocho orçamentário, reforma trabalhista, reforma previdenciária e a venda de todas as nossas riquezas (incluindo o pré-sal) a preço de banana. 
Enquanto isso está sendo realizado, manter os juros altos para garantir ainda mais rentabilidade aos bancos é uma “cortesia do nosso gentil governo Temer”.
Enquanto essas “lições de casa” não forem cumpridas, o Brasil estará em crise. E se o Brasil se atrasar no seu dever, teremos mais fuga de capitais. 
E… vejamos bem! Os países do primeiro mundo deram uma grande adiantada em suas “lições de casa” elegendo Macron na França e um parlamento “manco” para Theresa May no Reino Unido (obrigando-a a se aliar aos setores mais reacionários, caso queira governar).
Porém… por mais que as coisas estejam indo bem para os banqueiros, há um grande problema que eles sabem que existe e que os preocupam muito: trata-se da democracia e seu “maldito” princípio de “um homem, um voto”. 
O povo sempre será maioria e pode eventualmente compreender que o fim da crise econômica só se dará às custas de sua própria miséria… Ao saber disso, o povo pode rejeitar nas urnas e nas ruas essa condição.
Por isso os banqueiros estão determinados também a destruir a democracia em todo o planeta. Em todos os países do globo, a democracia está sendo atacada. E a França do elegante Macron (e não os EUA, do fanfarrão Trump) é a vanguarda desse ataque. 
Como muitos previam, Marine Le Pen pariu Macron… e o “bom moço”, como primeiro ato presidencial, tornou o “estado de exceção” como parte integrante do “estado ordinário”. 
Hoje na França, toques de recolher, escutas a suspeitos, violação de correspondência (sem ordem judicial), restrições de deslocamento e exército nas ruas, agora são parte integrante da constituição. Com um parlamento com mais de 70% de apoiadores, isso parece ser apenas o começo da grande escalada fascista naquele país.
No Brasil, assistimos a um vergonhoso golpe de Estado que não merece mais comentários…
A verdade é que os banqueiros sabem que suas reformas neoliberais só podem ser garantidas sem a democracia, isto é, com uma nova forma de fascismo. 
A produção da ameaça terrorista é o grande mote para a criação de um estado de medo no primeiro mundo. Um medo suficiente para que a maioria dos europeus e norte-americanos abram mão de seus direitos civis mais elementares. No fim… Adeus democracia…
No terceiro mundo o grande mote é acabar com a democracia em nome da “moralidade”. E com isso se almeja acabar com os partidos políticos e suas lideranças – especialmente aquelas de esquerda. Quem governará em cada país não importa, desde que sejam forças que garantam tudo o que os banqueiros querem.
E… até aqui iremos… A batalha de hoje é a batalha pela democracia. Após essa batalha teremos, enfim, a “grande batalha” do século XXI: o povo contra o capital. O que será praticamente uma luta da humanidade contra a barbárie. Todo o resto são detalhes…

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