Fernando Horta – Dez enganos/incorreções que a maioria das pessoas…

Dez enganos/incorreções que a maioria das pessoas fazem com relação as Relações Internacionais Contemporâneas:1) “O Brasil está sendo atacado por causa do BRICS que ia questionar as relações de poder no mundo”. Esta informação é um grande equívoco. Muita coisa se tem estudado sobre os BRICS e todos os estudos apontam para a imensa assimetria entre os participantes e que existem mais pontos de tensão do que de cooperação. China, Índia são muito maiores economicamente que o Brasil, não há comparação, e Rússia tem capacidade real de ação militar pelo Globo. Além disto nossas economias não são complementares, concorremos em muitas áreas e isto torna mais difícil uma parceria mais forte. No final de 2012, começou a circular a ideia (defendida em grande medida pela Rússia) da “desdolarização”. Acabar com a hegemonia do dólar. Exatamente Brasil foi o primeiro país a ser contrário, exatamente porque suas reservas são em dólar. A China também tem este problema embora entenda estas reservas mais como um ativo de segurança do que econômico. Os BRICS são muito mais uma vontade política de alguns atores do que uma realidade.2) “Estamos num mundo multipolar e isto incomoda o “império” americano”. Esta frase encerra um erro e uma contradição. “Mutipolaridade” e “império” não parecem fazer sentido na mesma frase. E esta “multipolaridade” não faz sentido, especialmente para as teorias críticas de esquerda. O que vemos é a mesma capacidade de ação internacional da Guerra Fria. Os mesmos atores e nenhum novo. Olhe para a Síria e veja EUA e Rússia. Quando muito uma coligação de Inglaterra, França e a China mantendo-se circunscrita à sua região. De fato, a ideia de “multipolaridade” é muito mais um sonho do que uma realidade, ainda mais quando as questões econômicas são colocadas em um contexto de política internacional. Nem Alemanha e Japão conseguiram efetivas linhas de agência internacional que não existissem na Guerra Fria. Não nos enganemos, o mundo está mudando e se tornando cada vez mais igual ao que era.3) “O mundo já saiu da crise e o Brasil está assim por questões internas”. Se é verdade que as escolhas domésticas jogaram um papel importante em nossa crise, não há ainda consenso sobre o peso dos dois cenários. O FMI mesmo reconheceu que a crise ainda não havia sido superada em termos internacionais, prediz que o “mundo crescerá mais ou menos 3,5% este ano”. Neste argumento os liberais se seguram, mas se você tirar China, Índia e Indonésia da conta a média mundial quase não fica positiva. A verdade é que o impacto da redução da voracidade da China é grande em nossa economia e com as medidas de Temer o mercado interno não está conseguindo tomar o espaço da demanda internacional, ainda que apenas uma parte.4) “O Brasil é o país que menos cresceu na América, se comparado com seus vizinhos”. Os dados sem contexto apontam para algo em torno desta afirmativa. Bolívia, Peru, Equador e Chile cresceram muito forte até 2013 e em seguida tiveram um momento de diminuição de ritmo e hoje os países que mais crescem são o Panamá, Nicarágua e República Dominicana. Apenas na nominata dos que mais crescem é possível ver o problema da afirmativa. Não se pode deixar de perceber que a economia brasileira, maior e mais complexa não pode ser comparada desta forma rasa com seus vizinhos. Os quatro maiores produtos de exportação do Chile, por exemplo, são ligados ao cobre a subida de preço internacional deste produto tem um efeito dramático para a sua economia. E acaba por mascarar índices tomados apenas pelos seus números. Comparar o Brasil em termos objetivos é sempre problemático.5) “Não faz diferença na política externa se forem republicanos ou democratas. Tanto faz Trump ou Hillary”. Esta afirmativa encerra uma generalização indevida. Historicamente os republicanos são mais pragmáticos e menos dispostos a gastar enormes somas no cenário internacional para ganhos “não materiais”. Se os republicanos tiverem que colocar a 4a frota para tomar o pré-sal brasileiro lhes parece uma ação mais “racional” e possível de receber apoio político do que gastar milhões de dólares em “propagandas e informações” na região para tentar o mesmo fim. Especialmente com Trump, estas ações mais “soft” terão vida dura. Uma política externa assertiva tem chance de ser muito mais efetiva com republicanos do que com democratas. Não é à toa que Lula e Bush acabaram se entendendo de forma muito mais próxima do que Lula e Clinton. Há sim diferença entre os dois partidos, embora nenhum deles vá deixar de ser norte-americano e lutar para manter sua superioridade no mundo.6) “Putin e os russos lutam pelos ideais da esquerda e, portanto, são nossos aliados”. Putin é o restaurador da Rússia pós-1991 e isto não é pouca coisa. Mas ele o faz isto internamente com valores muito diferentes do que a esquerda (especialmente a brasileira) gostaria que fossem. Putin incentiva o combate às agendas LGBT, trabalha pela diminuição dos direitos das mulheres (este ano foi assinada a primei

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